Chamada de trabalhos

Permanentemente desafiado pela tecnologia e pelo negócio, pela ética e pela sociedade, o jornalismo tem sofrido profundas alterações ao longo dos tempos. Os desafios atuais são complexos e desestabilizadores: o exercício da profissão é constrangido por modelos de negócio esgotados, estimulado por novos questionamentos éticos, desequilibrado por novas práticas e métricas, perturbado até por novas expectativas dos consumidores e cidadãos.

Com a rotina produtiva dos jornalistas confrontada por novos horizontes, que põem em causa critérios estabelecidos em termos de noticiabilidade, que desafiam a deontologia e estimulam o debate, várias problemáticas emergem no campo científico. Num contexto profissional híbrido e precário, que sentido fazem hoje os princípios éticos presentes nos códigos deontológicos? Há outros valores que se avizinham, como partilha ou transparência, como essenciais no campo? Que desafios se colocam à regulação e ao enquadramento legal do exercício da profissão? Que espaço existe para novas iniciativas de auto-regulação no interior das empresas jornalísticas? Os novos modelos de negócios podem fazer perigar a ética tradicional da profissão? Que vertentes de monetização encontramos no seio empresarial? Que sinais de sustentabilidade podemos perspectivar? Que respostas existem no relacionamento com os consumidores de produtos jornalísticos?

As fronteiras da profissão estão assim diluídas, convocando novas reflexões e investigações empíricas. Neste sentido, são acolhidas propostas de comunicação que abordem, nomeadamente:

– Hibridismo e fronteiras no jornalismo

– Velhas e novas questões éticas e deontológicas do jornalismo

– Modelos de negócio e sustentabilidade económica do jornalismo

– Novas perspectivas de monetização

– Novas possibilidades de financiamento: crowdfunding, subsídio público e fundações

– A problemática dos conteúdos patrocinados e do “brand journalism”

– Profissionalismo e amadorismo no jornalismo

– Perspetiva histórica da profissão de jornalista

– Transformações na composição social da profissão

– Regulação e autorregulação em jornalismo

– Competências do jornalista face à complexidade

– O fator tecnológico no exercício do jornalismo

– As “fake news” e a era da pós-verdade

– Imediatismo e “clickbait”